Publicado em 31/03/2009

Sustentabilidade: o seguro das gerações futuras

A sociedade e a economia conhecem hoje uma evolução sem precedentes. Estamos numa época de grandes mudanças estruturais, de novas (re)descobertas vitais, onde o conceito de sustentabilidade ganha maior relevo.

Os mercados estão cada vez mais exigentes. As empresas procuram incessantemente a diferenciação, para manterem elevados índices de competitividade. É urgente e peremptório redesenhar novos valores para as cadeias de negócios. Valores para o futuro, a sociedade e o ambiente. Valores seguros para garantir a sobrevivência e a sustentabilidade das próximas gerações.

No passado, a economia era vista num curto prazo, mas hoje, antes de se investir, procuram-se empresas económica, social e ecologicamente viáveis. É uma visão integrada de investimento a longo prazo.

O desenvolvimento sustentável é uma condição inquestionável e que cada vez mais organizações tendem a assumir como parte integrante da sua missão estratégica. A implementação de medidas que visem a sustentabilidade não pode ser dissociada do objectivo final da rendibilidade das empresas. Os agentes económicos e sociais reconhecem que não pode haver desenvolvimento sem sustentabilidade.

Deste modo, e particularmente no sector dos seguros, as empresas desejam também contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade civil sustentável, fomentando uma sociedade mais justa e uma maior qualidade de vida das gerações futuras. A contribuição para a melhoria de vida da sociedade em geral e do ambiente é assumida como parte integrante da cultura organizacional.

Esta visão integrada permite que as empresas responsáveis tenham progressivamente ganho uma maior consciência, assumindo uma política de transparência e um grau de ‘corporate governance’ elevados. Além da solidez no curto prazo, é fundamental que as empresas ofereçam perspectivas de sobrevivência no longo prazo. Investir em empresas que adoptam o caminho da sustentabilidade é de vital importância para aqueles que têm uma visão de longo prazo. As que prometem maiores ganhos, mas que não se preocupam com a sustentabilidade, perderão no futuro.

Destaco as empresas que compõe o selecto grupo do Índice Dow Jones de Sustentabilidade de Nova York. Os balanços indicam que a rendibilidade destas empresas é, pelo menos, 20% superior às que permanecem prisioneiras do modelo tradicional.

De acordo com alguns especialistas, em 2020, 75% das empresas que estarão relacionadas no S&P 500 não são ainda conhecidas hoje. As cerca de 100 sobreviventes das actuais empresas certamente serão também muito diferentes de agora. Esta revelação é um indicativo objectivo da importância de investir em empresas que adoptam o caminho da sustentabilidade.

Aquele que investe os seus rendimentos, seja o pequeno consumidor ou o grande investidor, já deixou de ser espectador para passar a ser um protagonista activo no meio que o rodeia. Assim, cabe ao consumidor avaliar até que ponto determinada acção sustentável adoptada é realmente responsável ou apenas uma manobra de ‘marketing’. O universo empresarial não pode ignorar que os clientes e consumidores são cada vez mais esclarecidos, conscientes e selectivos.

O grau de confiança que os ‘stakeholders’ depositam na empresa está directamente relacionado com o grau de responsabilidade e ‘corporate governance’ assumido pela mesma. Quanto mais fiável for a sua actuação a este nível, maior é a credibilidade que goza junto de todos os intervenientes - directos ou indirectos - no seu negócio.

Por último, e por forma a ajudar os leitores mais empenhados no desenvolvimento sustentável, ressalvo que o melhor processo de avaliação de uma empresa deve basear-se nos produtos ou nos serviços que desenvolve e na forma como actua e como relaciona a sua actividade económica (que deve ser lucrativa) com as vertentes ambientais e sociais. Este é o caminho do futuro e a actividade seguradora saberá trilhá-lo e actuar em conformidade.
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Rui Leão Martinho, Presidente do Conselho de Administração da Tranquilidade

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